Dr. André Fuck

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Testosterona: Modismo, Necessidade ou Risco à Saúde?

 

Estamos vivendo hoje um modismo relacionado ao uso de testosterona. Nos últimos anos, a prescrição médica e o uso dessa substância cresceu em mais de 10 vezes (sem contar o uso “ilegal”, que não pode ser quantificado). Mas até aonde isso se refere a uma necessidade real do organismo ou o uso indiscriminado reflete um problema no qual as conseqüências vão aparecer daqui alguns anos?

 

Para entender melhor essa questão, vamos primeiro entender o que é este hormônio:

A testosterona é um hormônio produzido pelo organismo de homens (testículos) e mulheres (ovários e suprarrenais), em quantidades muito superiores nos homens, que tem funções globais, como aumento de massa muscular, diminuição de tecido adiposo, aumento de bem-estar, virilização, prevenção de osteoporose, aumento da libido e mudanças no comportamento. Com relação a este último, sua ação varia desde sentimentos de competitividade e sexualidade até agressividade e raiva. Porém, em doses elevadas na corrente sanguínea, promove uma série de riscos à saúde (os quais serão comentando abaixo), além de mudança importante do comportamento.

 

A internet, com suas fontes de informação muito questionáveis, está repleta de exaltações aos benefícios da reposição de testosterona. Seja como elixir da juventude, melhora da virilidade, da libido, da força, da estética, da disposição, entre tantos outros. Juntamente com isso, a indústria farmacêutica investe muito na divulgação de produtos contendo testosterona e na estimulação ao seu uso, por motivos obviamente financeiros.

 

É sabido que os níveis de testosterona diminuem com a idade, e isso é fisiológico (ou seja, natural). Calcula-se que, a partir dos 20 anos, a queda seja de 1% a 2% ao ano. Com isso, algumas alterações físicas e comportamentais causadas por essa diminuição fisiológica leva à diminuição da massa muscular, do acúmulo de gordura corporal, fadiga, depressão e piora na esfera sexual. Como esses sintomas são indistinguíveis do próprio envelhecimento, é lógico pensar que podemos corrigi-lo por meio da administração de testosterona, à semelhança da reposição de hormônios femininos na menopausa.

 

Mas e os riscos?

Até o momento, se conhece bem alguns riscos relacionados ao uso em excesso deste hormônio, mas muitos ainda irão surgir com o tempo, já que estamos vivendo hoje uma “epidemia” de prescrição e uso. Dentre os riscos reais, podemos enumerar: problemas cardiovasculares (AVC, Infarto), ginecomastia (desenvolvimento de mamas em homens), acne severa, redução do colesterol HDL (o colesterol “bom”), crescimento de câncer de próstata, infertilidade e virilização das mulheres.

 

Para homens de meia idade com sintomas psicológicos (falta de energia e tristeza), físicos (cansaço, fadiga e dificuldade de praticar exercícios) e piora na função sexual (falta de libido e disfunção erétil), é razoável que se dose os níveis de testosterona total. Na maioria dos laboratórios, os níveis normais variam de 300 ng/dL a 900 ng/dL. O diagnóstico de hipogonadismo não deve ser baseado num único exame. Obrigatoriamente deve-se fazer duas medidas efetuadas pela manhã e a interpretação dos resultados deve ser feita por médico especializado.

 

Valores pouco abaixo do normal podem estar relacionados ao Estresse, Obesidade e até algumas doenças como o Diabetes. Portanto, antes de repor o hormônio é interessante fazer algumas modificações no estilo de vida, pois apenas com isso já podemos ter os níveis retornando aos valores normais. Reposição fica limitada aos homens com diagnóstico laboratorial preciso e sinais e sintomas claros de baixa testosterona. Nesse caso, as doses devem ser baixas o suficiente para manter as concentrações na faixa intermediária da normalidade. Depois de seis meses, se a melhora não for evidente, não se deve insistir no tratamento.

 

E o uso de Tribulus Terrestris, produto natural que promete estimular a produção de testosterona? Até o momento, nenhum estudo científico conseguiu provar que esta substância pode ser usada com esse fim, pois ela se mostrou ineficaz no que se propõe. Mas continuamos encontrando muitos anúncios exaltando essa substância, mesmo que não exista qualquer comprovação científica.

 

Concluindo, se a indicação do uso de testosterona é por pura estética, por medidas antienvelhecimento, por melhora no rendimento esportivo ou para melhorar libido e disposição, a resposta é que não se deve usar ou repor este hormônio. E não se engane com as fórmulas em gel, adesivo ou bastão, pois o efeito final é o mesmo. A única diferença é que se repõe, nos casos indicados, de forma mais fisiológica com uso diário em doses menores. Questione o seu médico do porquê está sendo indicada a reposição e nunca use sem o consentimento dele. Os riscos relacionados a isso com certeza irão extrapolar os benefícios e, independente do culpado, quem sofrerá as conseqüências é o paciente.